A Emenda Constitucional nº 132 de 2023, da Reforma Tributária, trouxe mudanças estruturais no Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), ao atualizar o texto do art. 155 da Constituição Federal e redefinir aspectos fundamentais da incidência e da estrutura do tributo. Embora as alterações não criem um novo imposto, elas ampliam sua abrangência e introduzem novos critérios para a definição de alíquotas, com impactos diretos para contribuintes e Estados.
Uma das principais mudanças é a previsão expressa de que o IPVA poderá incidir também sobre veículos automotores aquáticos e aéreos. Até então, a interpretação consolidada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) restringia o tributo a veículos terrestres (carros, motos, camionetes, caminhões, ônibus etc.).
Com a nova redação constitucional, há autorização explícita para a tributação de bens de luxo, como:
Há também exceções e imunidades específicas. Para evitar prejuízos a setores produtivos e estratégicos, a Constituição estabeleceu exceções taxativas, em que o IPVA não incidirá:
Outra novidade relevante é a permissão para que os Estados estabeleçam alíquotas diferenciadas com base em quatro critérios principais:
Essa mudança abre espaço para modelos diferenciados de tributação, tais como:
A inclusão do impacto ambiental como critério constitucional é uma mudança significativa. Com isso, os Estados passam a ter respaldo para instituir políticas como:
A medida alinha o IPVA a tendências internacionais de tributação e reforça o uso do sistema tributário como instrumento de política pública.
É importante acrescentar que a competência para instituir o IPVA permanece com os Estados e o Distrito Federal. Portanto, embora a autorização constitucional já exista, a aplicação prática das mudanças no IPVA ainda depende de regulamentação estadual e distrital.