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Gestão emocional entra definitivamente na agenda estratégica das lideranças

As prioridades da área de Recursos Humanos passam por uma transformação profunda. O relatório 2026 Top Priorities for CHROs, do Gartner, deixa isso claro ao apontar que uma das principais preocupações dos líderes globais

As prioridades da área de Recursos Humanos passam por uma transformação profunda. O relatório 2026 Top Priorities for CHROs, do Gartner, deixa isso claro ao apontar que uma das principais preocupações dos líderes globais de RH na atualidade é a capacidade das lideranças de sustentar crescimento, performance e engajamento em um cenário marcado por incerteza, pressão emocional e rápidas mudanças no mundo do trabalho.

O estudo ouviu 426 CHROs de 23 indústrias em quatro regiões do mundo e relacionou quatro prioridades estratégicas centrais. Entre elas, destacam-se a necessidade de mobilizar líderes para crescer em um mundo incerto e de enfrentar a deterioração cultural que afeta diretamente a performance organizacional. Embora o relatório trate de temas como inteligência artificial, modelos de trabalho híbridos e produtividade, há um eixo que atravessa todas essas agendas de forma silenciosa, porém decisiva, que é a maturidade emocional das lideranças.

Segundo o Gartner, não basta que líderes inspirem em momentos pontuais. É necessário desenvolver a capacidade de rotinizar a mudança, ajudando equipes a lidar diariamente com desconforto, ambiguidade e emoções difíceis. O próprio relatório recomenda de forma explícita que as organizações criem ferramentas para que líderes compreendam quais emoções emergem nos processos de mudança, o que as provoca e como regulá-las, além de treinarem habilidades emocionais que sustentem decisões mais conscientes em contextos complexos.

Na prática, esse dado apenas confirma algo que já se observa no dia a dia das organizações. A gestão emocional deixou de ser um tema periférico ou restrito às discussões sobre bem-estar. Ela se tornou uma competência estratégica. Sem maturidade emocional, líderes não conseguem sustentar clareza, qualidade de decisão nem relações de confiança em ambientes de alta pressão.

Assim, o risco mais recorrente que vejo nas empresas não é ignorar o tema, mas tratá-lo de forma superficial. Muitas organizações reconhecem sua importância, investem em ferramentas rápidas, treinamentos pontuais ou discursos bem-intencionados, mas evitam aprofundar a compreensão sobre o funcionamento da mente humana. Emoções não se gerenciam apenas com técnica. Elas exigem consciência, prática e um desenvolvimento interno consistente, que vai além de iniciativas isoladas.

O relatório do Gartner reforça essa visão ao apontar que organizações capazes de integrar cultura, valores e comportamentos no trabalho cotidiano podem alcançar até 34% de aumento na performance dos colaboradores. Para isso, no entanto, não basta definir valores em apresentações ou murais. É necessário que líderes saibam sustentar conversas difíceis, regular suas próprias reações emocionais e criar ambientes psicologicamente seguros, especialmente sob pressão.

Em um contexto no qual saúde mental, engajamento e retenção de talentos se tornaram desafios centrais, a pesquisa indica que o futuro da liderança passa menos por novas ferramentas e mais pela qualidade de consciência com que líderes atuam. A gestão emocional, antes tratada como soft skill, passa a ocupar o centro da estratégia organizacional.

Portanto, a pergunta que se impõe às empresas já não é se devem investir no tema, mas quão profundamente estão dispostas a fazê-lo.

*Daniel Spinelli é especialista em liderança, palestrante, mentor e autor do livro best-seller A potência da liderança consciente. – E-mail: [email protected].

Sobre Daniel Spinelli

Daniel Spinelli é empreendedor, palestrante e autor best-seller brasileiro, reconhecido como uma das principais referências em liderança consciente e cultura organizacional. Com mais de 30 anos de experiência à frente de equipes e projetos corporativos, é fundador de empresas voltadas à formação de líderes e criador da metodologia das Quatro Dimensões da Liderança Consciente, adotada por grandes organizações no Brasil e no exterior. Sua atuação integra gestão, autoconhecimento e impacto social, contribuindo para transformar o modo como líderes conduzem pessoas e negócios. Para saber mais, acesse: danielspinelli.com.br.